O ESPINHO QUE FICOU

O ESPINHO QUE FICOU

"A minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."
2 Coríntios 12:9 — NVI

Paulo orou uma vez e depois, orou novamente. Na terceira vez, talvez já não tivesse palavras novas. Apenas a mesma dor, o mesmo pedido e aquela esperança silenciosa de que, dessa vez, Deus responderia como ele desejava:

— Senhor, tira isso de mim.

A Bíblia não explica exatamente qual era o espinho de Paulo. Sabemos apenas que aquilo o feria, o limitava e o fazia reconhecer que não era invencível. Era algo real o suficiente para levá-lo repetidamente à presença de Deus.

Paulo havia visto milagres, pregado para multidões, sobrevivido a perseguições e experimentado manifestações extraordinárias da presença de Deus. Mesmo assim, havia um espinho.

Isso nos confronta porque, muitas vezes, imaginamos que pessoas usadas por Deus não deveriam sofrer dessa maneira. Pensamos que uma fé verdadeira deveria impedir certos dias, certas crises e certos pensamentos.

Como posso amar a Deus e continuar me sentindo assim? Por que ainda dói, se eu já orei? Será que existe alguma coisa errada comigo?

Talvez ninguém perceba o esforço que você faz para continuar. As pessoas veem você trabalhando, sorrindo, servindo e cumprindo responsabilidades. Mas não sabem quanto custa sair da cama em alguns dias. Não conhecem as batalhas que acontecem dentro da sua mente quando tudo ao redor fica em silêncio.

Há espinhos que não aparecem nas fotografias.

A solidão pode ser um espinho. Uma ausência pode ser um espinho. Uma lembrança que surge sem pedir licença pode ser um espinho. A culpa, o medo, o cansaço e a sensação de não ser suficiente também podem atravessar a alma como algo que não conseguimos arrancar sozinhos.

E, quando a dor permanece, é comum pensarmos que Deus não respondeu, mas Ele respondeu a Paulo. A resposta não foi a retirada do espinho. Foi a revelação de uma graça capaz de sustentá-lo enquanto o espinho permanecia.

— Minha graça é suficiente para você.

Deus não estava diminuindo a dor de Paulo. Não estava dizendo que o sofrimento era pequeno, imaginário ou irrelevante. Ele estava mostrando que a permanência do espinho não significava ausência de cuidado. Existem momentos em que Deus muda a situação, em outros, Ele nos sustenta dentro dela e ser sustentado também é milagre.

Talvez você esteja cansado de ouvir que precisa simplesmente "ter mais fé". Talvez já tenham transformado a sua dor em acusação. Disseram que você deveria orar mais, agradecer mais, ocupar a mente ou parar de sentir aquilo.

Entretanto, Paulo não foi repreendido por pedir que o espinho fosse retirado. Ele levou sua fragilidade a Deus. Não fingiu força. Não escondeu o incômodo. Não chamou sofrimento de bênção apenas para parecer espiritual. Ele orou com sinceridade.

Isso significa que você também pode dizer: Deus, eu não estou bem. Eu não estou conseguindo carregar tudo. Eu preciso de ajuda.

A fé não exige que você negue o que sente. Ela oferece um lugar seguro para onde levar o que sente. O espinho não anulava o chamado de Paulo. A fraqueza não apagava sua história. Aquilo que o feria não o tornava menos amado, menos útil ou menos alcançado por Deus.

Você também não é definido pelo seu pior dia, não é definido pela crise que enfrentou, pelo medo que ainda aparece ou pelas marcas que uma perda deixou. A sua fragilidade não cancela aquilo que Deus depositou em você.

Talvez o seu espinho tenha ficado, talvez você ainda não compreenda por quê, mas permanecer com um espinho não significa caminhar sozinho. A graça de Deus nem sempre chega como uma explicação. Às vezes, ela chega como força para atravessar mais um dia, como uma pessoa que liga no momento certo, como coragem para procurar ajuda, como descanso depois de muitas noites difíceis, como a pequena certeza de que, apesar de tudo, você ainda está aqui.

A graça não faz a dor deixar de ser dor. Ela impede que a dor seja a única verdade sobre você. No final, Paulo compreendeu que não precisava parecer forte o tempo inteiro. Ele poderia reconhecer sua fraqueza porque o poder de Cristo não dependia de sua aparência de controle.

Talvez hoje Deus não esteja exigindo que você vença tudo, talvez Ele esteja apenas chamando você para parar de sofrer escondido, aposentar uma armadura.

Diga o que dói, aceite cuidado, permita que pessoas seguras caminhem ao seu lado e, quando não conseguir fazer uma oração longa, apenas diga: — Senhor, o espinho ainda está aqui. Mas eu também estou. Sustenta-me.

Porque o espinho pode ter ficado, mas a graça também ficou e ela continua sendo suficiente.

MOTIVO DE ORAÇÃO:

Ore por aquilo que tem ferido você silenciosamente. Peça a Deus não apenas a retirada do espinho, mas também graça para atravessar o processo, humildade para aceitar ajuda e sensibilidade para reconhecer o cuidado dEle nas pequenas coisas. Apresente também a Deus as pessoas que enfrentam dores que ninguém consegue enxergar.